Hattusa revela três novas tumbas e amplia o turismo cultural na Turquia

O Portão da Esfinge integra o conjunto arqueológico de Hattusa, em Çorum, um dos principais vestígios da civilização hitita. (Foto: StockPhoto)

Escavações arqueológicas em Çorum encontram sepultamentos dos períodos Helenístico e Galaciano e acrescentam novos elementos à história do sítio hitita

Hattusa, antiga capital do Império Hitita, volta a ganhar atenção arqueológica com a descoberta de três tumbas até então desconhecidas. Localizado em Boğazkale, na província de Çorum, o sítio é Patrimônio Mundial da UNESCO e preserva vestígios de diferentes períodos da história da Anatólia.

A descoberta amplia especialmente o conhecimento sobre a ocupação posterior da cidade. As novas estruturas estão relacionadas aos períodos Helenístico Inicial e Galaciano, séculos depois do apogeu hitita, quando Hattusa já havia deixado de exercer a função de capital.

Novas tumbas ajudam a revelar a Hattusa pós-hitita

As escavações já identificaram oito tumbas desses períodos na região, cinco delas encontradas durante a temporada anterior. Outras nove haviam sido localizadas anteriormente em uma área mais a oeste, elevando para 17 o número conhecido de sepultamentos associados a essas fases posteriores.

Entre as descobertas recentes, uma tumba chama atenção pelo estado de preservação. A estrutura possui uma parede circular de pedra com aproximadamente sete metros de diâmetro e um limite interno destinado ao sepultamento de um adulto. No interior foi encontrado um esqueleto intacto, acompanhado de uma faca posicionada próxima ao ombro direito.

Os arqueólogos ainda investigam se o objeto fazia parte dos elementos depositados como oferenda funerária ou se pertencia à pessoa enterrada. A resposta poderá contribuir para a compreensão das práticas funerárias adotadas naquele período.

Após a conclusão das escavações e da documentação arqueológica, está prevista a restauração das estruturas e a abertura da área à visitação.

Hattusa (Foto:mybestplace.com)

Um sítio que atravessa diferentes períodos da Anatólia

A importância de Hattusa para o turismo cultural está justamente na possibilidade de acompanhar, no mesmo território, diferentes momentos da história da Anatólia.

A cidade foi capital do Império Hitita e chegou a exercer influência sobre uma extensa área entre a costa do Egeu e o norte da Síria. Seu conjunto arqueológico reúne templos, fortificações, palácios e grandes portões monumentais.

Entre os principais pontos estão o Grande Templo, o Portão dos Leões, o Portão do Rei, o Portão da Esfinge e o complexo palaciano de Büyükkale. A cidade é dividida entre a Cidade Baixa e a Cidade Alta.

O sítio também guarda um dos mais importantes conjuntos documentais do mundo antigo: mais de 30 mil tabuletas de argila, reconhecidas pelo programa Memória do Mundo da UNESCO. Nas proximidades estão ainda o santuário rupestre de Yazılıkaya, Alacahöyük e Shapinuwa, que ampliam a possibilidade de construir uma jornada dedicada à civilização hitita.

As portas monumentais e fortificações mostram o poder político e religioso de Hattusha (foto: StockPhoto)

A força histórica dos hititas

A presença hitita na Anatólia deixou registros que ajudam a compreender aspectos políticos, econômicos e sociais do mundo antigo.

Entre eles está o Tratado de Kadesh, firmado com o Egito em 1259 a.C., além dos Anais Reais, documentos gravados em escrita cuneiforme. A civilização também desenvolveu estruturas relacionadas à administração, à herança e ao direito de família.

Outro vestígio associado aos hititas está em Alacahöyük, onde uma antiga represa construída há mais de 3.200 anos continua relacionada à irrigação da região.

Operação especializada amplia as possibilidades de viagem pela Turquia

A Dorak Latin, divisão voltada ao mercado latino-americano da Dorak Tours, trabalha com programas regulares e personalizados, viagens culturais, roteiros de interesse específico e operações para grupos e passageiros individuais.

A empresa também atua na organização de hospedagem, transfers, acompanhamento profissional e serviços relacionados à operação dos roteiros. Entre os programas atualmente oferecidos pela Dorak estão circuitos pela Turquia que combinam destinos como Istambul, Capadócia e Pamukkale, com diferentes formatos de duração e serviços incluídos.

Nesse contexto, destinos históricos como Hattusa podem integrar, quando disponíveis em operações específicas, uma viagem mais ampla pela Anatólia — sem necessariamente depender de um roteiro exclusivamente arqueológico.

Hattusa (Foto:mybestplace.com)

De Hattusa a Ancara

A experiência pode ser ampliada com a passagem por Ancara, onde o Museu das Civilizações da Anatólia reúne acervo dedicado a diferentes culturas que ocuparam a região, incluindo peças relacionadas aos hititas.

A capital turca também permite combinar patrimônio arqueológico com atrações como o Castelo de Ancara, Anıtkabir, os Banhos Romanos e a Biblioteca da Nação.

Para quem pretende conhecer Çorum, o Aeroporto de Amasya Merzifon é apontado como a alternativa aérea mais próxima, a aproximadamente uma hora de deslocamento por carro ou ônibus. A cidade dispõe de hotéis e pensões, enquanto a gastronomia regional inclui especialidades como İskilip Dolması e Çorum mantısı. O leblebi, grão-de-bico torrado, aparece entre os produtos tradicionais que podem ser levados como lembrança.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A descoberta reforça uma característica importante do turismo cultural na Turquia: o patrimônio arqueológico não se limita aos grandes monumentos associados aos períodos mais conhecidos. Novas pesquisas podem acrescentar camadas históricas aos destinos já consolidados e criar motivos adicionais para permanência e deslocamentos dentro do país.

Para operadores e agentes de viagens, esse tipo de patrimônio amplia a possibilidade de trabalhar a Turquia por interesses específicos, combinando história, arqueologia, cultura e experiências regionais. A futura abertura das novas estruturas à visitação também poderá acrescentar um novo ponto ao repertório turístico de Çorum, embora seu impacto comercial dependa da conclusão dos trabalhos arqueológicos e da estruturação da visita.

Autor

  • Marcos Arruda

    Marcos Arruda atua no turismo desde 1997 e é jornalista formado em 2011. É editor e fundador do Turismo&Eventos, veículo multiplataforma voltado ao trade turístico nacional e internacional.
    Com base em São Paulo, acompanha de perto os movimentos do setor, com cobertura de destinos, companhias aéreas, hotelaria e eventos no Brasil e no exterior. Sua atuação é marcada por análise de mercado, leitura estratégica e produção de conteúdo voltado à tomada de decisão no turismo.

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